Os estados de alma do futuro papa
“Aos olhos dos homens, a mulher grávida parecerá sempre inacessível e misteriosa. Ela vive a vida e devolve o homem à sua solidão. Pouco importa o discurso actual sobre a paternidade activa, o homem não será mais que a testemunha, e fica na periferia do mistério, sem jamais poder penetrá-lo” (Denise Bombardier - La Déroute des sexes)
Um desafio para os novos pais!
Eles têm hoje um papel de acompanhamento muito importante a desempenhar, com isto os pais das gerações anteriores não tinham que se preocupar: eram as mulheres (as mães, as irmãs) que se encarregavam disso. Hoje não somente têm de fazer face às suas próprias angústias face à perspectiva dessa futura paternidade, mas devem também assumir as da sua mulher. Também eles têm uma percepção ambivalente da gravidez: reflexo da sua futura paternidade, esperada e desejada, ela apresenta- lhe a questão do intruso que se imiscuirá na vida do casal perturbando o equilíbrio.
Sentem-se um pouco excluídos face à relação privilegiada que existe já entre a mãe e o seu bebé. Têm mesmo a impressão de estarem a mais algumas vezes, de incomodar a sua intimidade espantosa. A sua mulher é já mãe, enquanto que eles ainda não são pais. Esta ambivalência existe também em relação à transformação do corpo da sua mulher. Este corpo novo provoca fascinação e receio: julgado muitas vezes sexy e excitante, o ventre, símbolo eterno da gravidez, pode ser por vezes tido como um obstáculo entre o homem e a mulher. O parto é um pouco receado pelos futuros papás: eles sentem-se investidos de uma grande responsabilidade. São um pouco apanhados desprevenidos, divididos entre o desejo de participar no nascimento do seu bebé e o desejo de ficar na retaguarda, conformemente aos séculos de tradição.
Conseguir a sua paternidade
A sociedade lançou aos pais de hoje um novo desafio: conseguir com êxito a sua paternidade, Um tanto desnorteados pela redistribuição dos papéis entre o homem e a mulher elas têm todavia um enorme desejo de se assumir e de proceder bem. É por isso que os futuros papás necessitam de serem tranquilizados. A paternidade não é a história de um êxito ou de um desaire, é uma aprendizagem durante os meses e os anos, uma acumulação de alegrias e cóleras, de disputas e reconciliações, de amuos e reaproximações.
"GUIDE DU JEUNE PÈRE" ("Guia do jovem pai")
"A gravidez é uma prova dura para o futuro pai: de tem de suportar uma companheira toda transtornada, enjoada algumas vezes, rabugenta quase sempre, inchada sempre. E apenas com o pretexto que o seu ventre se arredonda, esta mulher julga-se quase sempre o centro do mundo; todas as atenções convergem para ela, envolvemo-la, mimamo-la, preparamos-lhe sumos de laranja que recusa beber porque lhe dói o coração. E durante este tempo, quem se preocupa com o seu marido, com a sua saúde, com os seus nervos, com os seus pensamentos e angústias? Ninguém, evidentemente. Rude momento, papel ingrato... ( ... )
Coragem leitor amigo! Este sombrio período não dura senão algum tempo. Nove meses, relembremo-lo. Nove meses durante os quais deve aguentar a barra, e que lhe trarão o seu lote de acontecimentos a defrontar, de decisões a tomar, de preparativos a fazer a toque de caixa".
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